Sábado, 21 de Setembro de 2019
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À conversa com João Ribeiro Telles "Ginja"

João Ribeiro Telles "Ginja" falou ao Taurodromo.com da sua paixão pelo toureio e dos seus projectos para o futuro.
12 de Setembro de 2014 - 20:38h Notícia por: - Fonte: Taurodromo.com - Visto: 2756
À conversa com João Ribeiro Telles

João Ribeiro Telles mais conhecido como o “Ginja” passa os dias na Torrinha a preparar os seus cavalos. Realizou o sonho de ser toureiro... Paixão que exige diariamente muita dedicaçao da sua parte. É um jovem humilde com muitos projectos ainda por concretizar. O taurodromo.com foi conhecer melhor o toureiro mais “irreverente” da dinastia Telles.

 

T:Quem é o João Ribeiro Telles mais conhecido pelo Ginja?

J.R.T:É uma pessoa completamente normal. Uma pessoa humilde, directo e verdadeiro. Tento ser sempre o melhor aqui na parte dos toiros. Trabalho todos os dias de manhã à noite. A dedicação é o que tem vingado em mim, porque é um crer grande.

T:O que sente antes e quando está na arena?

J.R.T:Antes medo (risos). O medo controlado, aquela pressão e a responsabilidade completamente acrescida. Quando ouvimos o trinco da porta já esquecemos isso e já tentámos superar as dificuldades do toiro e as dificuldades da própria lide, mas acho que acima de tudo é a responsabilidade.

T:Como é que se define como toureiro?

J.R.T:Falar de nós é sempre um pouquinho difícil. Procuro fazer sempre as coisas verdadeiras. O bom toureio, é o toureio de verdade. É o toureio que eu procuro e felizmente é o que eu tenho vindo a conseguir fazer ultimamente. Depois a empatia com o público é completamente fundamental porque é quem paga o bilhete tem de sair divertido.

T:Qual o tipo de toiro que normalmente o João prefere tourear?

J.R.T:Desde pequeno tive a tendência de tourear os murubes, era o que toureava mais é a realidade é a verdade. Andava sempre cuidado felizmente nos cartéis de responsabilidade e de categoria. O ano passado a época forte foi com ganadarias completamente diferentes, toureei os Teixeiras, Graves, os Silvas acho que proporcionaram bons resultados. O que nós queremos é que o toiro transmita e isso é bom para todos independentemente do seu encaste. Dou-me bem com os murubes é o encaste que eu gosto.

T:Quais são as dificuldades que sente neste mundo dos toiros?

J.R.T:Sinto eu e vejo que há muitas. Felizmente estou numa posição em que trabalho todos os dias. Trabalhei e esforcei-me muito para chegar onde estou. Não estou de todo onde quero. Mas felizmente estou numa posição um pouco favorável. Vejo que há muitas dificuldades não só nos toiros. Estamos a passar por momentos difíceis. Já houve momentos piores e as corridas em Portugal têm sido as mesmas. A meu ver até são um pouco demais. Mas sinto que há dificuldades no geral e nos toiros também.

T:O que é preciso para ser cavaleiro tauromáquico?

J.R.T:Acho que é a tal dedicação e acima de tudo respeito. Respeito pelo público, pelo toiro, pelo cavalo e até por nós mesmos. Foi sempre o que nos ensinaram cá em casa acho que isso é a principal fonte que temos que vingar no toureiro. Quando estamos bem com o toiro, com o cavalo, com o público é quando o espectáculo sai bem.

T:Sei que também gosta de tourear a pé. Para si é fundamental um cavaleiro tauromáquico também saber tourear a pé?

J.R.T:Fundamental não é. Mas acho que conhecer os terrenos nos ajuda muito. É sem dúvida um gosto que tenho desde pequeno. Gosto de tourear cá em casa as vacas a pé de muleta.

T:Ouvi dizer que também bandarilha…

J.R.T:(Risos) bandarilhar só mesmo a brincar.

T:Que balanço faz até ao momento da temporada que está quase na recta final?

J.R.T:Felizmente a temporada passada correu muito bem, esta temporada não tenho toureado muito. Tenho toureado corridas boas, de responsabilidade e importantes levo cerca de seis ou sete corridas toureadas em Portugal. Não são muitas… mas vou acabar com cerca de dez. Touriei corridas com categoria, cartéis de máxima competição que é o que tem de ser.  Podemos considerar que são poucas corridas. Mas não são. Julgo que todos deveriamos tourear menos dava mais categoria à festa. Em Espanha tenho toureado mais, mas penso que em Portugal isso seria importante para todos.

T:Esta temporada ficou marcada pela renovação da sua imagem. Isso é importante para a carreira de um toureiro?

J.R.T:Acho que sim sem dúvida. Quando foi falado em pleno inverno, sempre fui apologista disso. Mas não foi ideia minha. Com os dias que correm hoje é importantíssimo com a diversidade de coisas que temos porque não aproveitá-las. Temos aproveitado e temos marcado a diferença, portanto era essa a ideia.

T:Um dos momentos que mais o marcou até hoje na sua carreira?

J.R.T:É o dia da alternativa. É o dia forte, um triunfo grande onde saimos todos em ombros no Campo Pequeno, com a praça esgotada é uma noite que nunca vou esquecer.

T:Tem algum ritual antes das corridas?

J.R.T:Ritual não. Nos dias ou em vésperas das corridas venho sempre aqui ao meu avô, ou quando toureio em Espanha. Em casa vamos sempre à igreja ao castelo, Nossa senhora do castelo.

T:Como é composta a sua quadra…

J.R.T:Felizmente julgo que tenho uma quadra boa e importante. Três ou quatro cavalos de saída. Tenho o “Bacatum” um cavalo com ferro Paim, o “Aveiro” no qual deposito muita confiança. Dobra-se muito bem com os toiros. Tenho agora um cavalo novo lazão que é o “Milão” tem toureado este ano e tem superado as expectativas. Depois tenho outro Paim que é o “Zagrebe” outro cavalo de saída. Das bandarilhas tenho o “Ojeda” um cavalo Rio Frio, o “Gabarito” lazão que é cá da casa, o “Ornellas”, o dilatado que é um Ortigão, e o “Zimbro”. Tenho vários cavalos. Tive uma baixa forte que foi o Grave que infelizmente morreu derivado a uma doença quando viemos de uma corrida. Era o craque da quadra. No último teste tenho um cavalo com o ferro Infante que é o “Infante”, o “Cigano”. Tenho cerca de catorze cavalos a tourear penso que é uma quadra bastante completa. Tenho quatro ou cinco cavalos novos para meter para a próxima temporada. Tenho conseguido estrear  dois  ou três cavalos por temporada o que é importante. Na verdade cavalos bons não há muitos, temos de os fazer e ter a sorte de os conseguir encontrar. Felizmente tenho conseguido isso e penso que tenho uma quadra à altura.

T:Acha que há muitos jovens a apoiar a tauromaquia?

J.R.T:Eu penso que sim. Porque nas praças, vêem-se caras novas, miúdos novos, jovens de todas as idades. A meu ver uma grande percentagem dos aficionados são jovens.

T:Projectos para o futuro…

J.R.T:Queremos sempre mais. Manter as corridas de importância aqui em Portugal. Mas desde os meus 16 ou 17 anos que quero pisar as principais feiras e vejo que isso está cada vez mais perto. Espero que seja já para o ano. Pois é um dos meus grandes objectivos. Gostava também de fazer uma campanha no México já vi as coisas mais longe por isso, vejo as coisas bem encaminhadas para o futuro. É preciso trabalhar, dedicação e nunca desistir.

T:Nota muita diferença entre o público de Portugal e Espanha?

J.R.T:Julgo que há aficionados em qualquer lado. Quando vimos a praça cheia e quando o público vibra é de maneira igual. Pode haver alguma diferença na interpretação do toureio ou não. Quando estão contentes não vejo diferença, vejo que à alegria.

T:O seu toureio encaixa mais em Madrid ou Lisboa?

J.R.T:Bom! Bom! São as duas. (risos)… felizmente já tive a sorte de pisar algumas vezes a arena de Lisboa. Madrid é um sonho. Espero pisar para o ano para saber qual é a sensação. Mas julgo que me iria dar bem em Madrid ou em Sevilha são sítios diferentes. Lisboa é diferente quer para mim como para todos. Quando chega à quarta-feira, já aperta por todo o lado porque Lisboa é a catedral do toureio a cavalo, tem sempre o seu peso. Quando Lisboa está entregue é sem dúvida uma sensação do outro mundo.

T:Uma mensagem para os aficionados em geral...

J.R.T:Que nunca deixem de ir aos toiros. Que nunca deixem de ser aficionados. É a nossa cultura. Não há festa mais bonita e que tenha tanta gente como os toiros.

 

 

 

 

 

As imagens de João Ribeiro Telles

Algumas imagens de João Ribeiro Telles na Torrinha pela objectiva de Frederico Henriques.
26 de Agosto de 2014 - 00:00h Galeria fotográfica por: Frederico henriques
As imagens de João Ribeiro Telles As imagens de João Ribeiro Telles As imagens de João Ribeiro Telles As imagens de João Ribeiro Telles As imagens de João Ribeiro Telles As imagens de João Ribeiro Telles As imagens de João Ribeiro Telles As imagens de João Ribeiro Telles As imagens de João Ribeiro Telles As imagens de João Ribeiro Telles As imagens de João Ribeiro Telles As imagens de João Ribeiro Telles As imagens de João Ribeiro Telles As imagens de João Ribeiro Telles As imagens de João Ribeiro Telles As imagens de João Ribeiro Telles As imagens de João Ribeiro Telles
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