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Bandarilhar a cavalo

A sorte de "bandarilhar a cavalo a duas mãos" em Portugal, ganhou popularidade através de Simão da Veiga, que habitualmente a praticava com grande destreza, em todas as suas actuações.
29 de Outubro de 2013 - 12:55h Notícia por: - Fonte: Taurodromo.com - Visto: 1597
Bandarilhar a cavalo

A sorte de “bandarilhar a cavalo a duas mãos” em Portugal, ganhou popularidade através de Simão da Veiga, que habitualmente a praticava com grande destreza, em todas as suas actuações.

Também com o cavaleiro do Lavre, a mesma foi sendo divulgada além fronteiras, sobretudo no México, país onde Simão da Veiga actuou com alguma regularidade, aí fazendo as suas campanhas de Inverno.

Também João Núncio, no início da sua carreira a praticou, face ao impacto que a mesma tinha junto do público. Mais tarde surgiram outros cavaleiros, caso de Manuel Conde e até Gustavo Zenkl, que por vezes o faziam. Face á escassez de executantes e regularidade com que era vista, acabou por cair em desuso e no esquecimento dos aficionados e públicos em finais da década de 60 e anos 70, vindo até a ser considerada por muitos (á época) uma sorte menor do toureio a cavalo á portuguesa.

No início dos anos 80, Joaquim Bastinhas surge a bandarilhar a cavalo, utilizando o par de bandarilhas como uma sorte habitual do seu reportório e inovadora pela forma como o fazia. O cavaleiro de Elvas praticava-a, atacando os toiros de terrenos de dentro (junto a tábuas) para cravar nos médios, ou no centro da arena, quando os toiros se proporcionavam a tal desempenho.

Ao longo dos seus trinta anos de alternativa, Bastinhas nunca exclui esta sorte do toureio a cavalo da sua tauromaquia, o que lhe granjeou popularidade, notoriedade e respeito junto de todos os públicos para quem actuou, quer de Portugal, Espanha, França, Grécia e América do Sul. Para se notabilizar nesta sorte do toureio a cavalo, Joaquim Bastinhas teve na sua quadra de cavalos da altura os célebres “Guiso”, “Trinco”,“Palmela” e “Xequemate”, que acompanhados pelo “Piropo” e “Vip” possibilitaram que o Maestro se afirmasse em definitivo no toureio a cavalo como figura do mesmo e figura de época, ao cabo dos trinta anos que leva de alternativa.

Porque todas as grandes figuras do toureio são reconhecidas e respeitadoras dos factos, que os destacam dos outros, Joaquim Bastinhas referiu-se a “esses companheiros” da seguinte forma: “O “Guiso” tinha o ferro de meu pai, Sebastião Tenório e foi o meu primeiro cavalo de bandarilhas e o que me deu a conhecer junto do público. Depois o “Trinco" (filho do “Firme”, Andrade e da “Heroína”, ferro Romão Tavares, inteiro, lusitano e com o ferro “Romão Tavares) cimentou-me nos pares de bandarilhas e confirmou-me como toureiro. O “Piropo” (filho do “Piton” ferro Veiga e de uma égua da mesma linha, castanho, lusitano e inteiro) foi sem dúvida o cavalo com que mais toureei, cerca de quatrocentos e picos toiros. Ostentava também o ferro do meu pai e foi sem dúvida, um grande cavalo de receber os toiros. Citava de praça a praça e tinha um sítio, que podia e deixava mandar-me nos toiros, logo no primeiro estado. O “Palmela” (filho do “Emir” e da “Nociva”, castanho, inteiro e com o ferro de D. Pedro Palmela) tinha uma grande qualidade em tudo o que fazia e transcendia-se nos ferros curtos.

Foi outro dos cavalos, que me ajudou e destacou como figura do toureio. Quanto ao “Xeque-Mate”, ferro “Pinto Barreiros”, (filho de um cavalo com ferro “Duque de Palmela” e uma égua “Núncio”, baio e castrado) foi um cavalo que utilizei nos curtos e pares de bandarilhas, sendo espectacular e muito exuberante, chegava com facilidade ao público. Já o “Vip” tinha o ferro “Duarte Lopes”, (filho do “Magic Count” e de uma égua peninsular, baio de pelagem e castrado) destacava-se pela sua beleza própria e natural, assim como, pela forma como sempre atacou os toiros. Apesar de me encontrar bem montado, tendo uma quadra segura e que me ajudou a concretizar mais uma bela temporada, tendo para isso contado os consagrados, “Queimadoro”, “Tivoli”, “Xisto” e “Neron”, terei sempre uma palavra de apreço e até mesmo, por vezes um sentimento de nostalgia, para com aqueles cavalos… estão e estarão sempre na minha memória enquanto toureiro, fazendo parte integrante de uma equipa e de tempos maravilhosos, que me realizaram e marcam, como toureiro”.

Joaquim Bastinhas, que apesar de nunca o querer directamente admitir, quedando-se pelo “talvez”, fez escola havendo na actualidade outros cavaleiros a executar vistosamente o “ par de bandarilhas” nas suas actuações, caso do seu filho Marcos Bastinhas, Luis Rouxinol e Filipe Gonçalves. Ilustrando este apontamento ficam as imagens de sempre: “um par à Bastinhas!”

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