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Joaquim Bastinhas no colóquio "Entradas de toiros em Lisboa"

Decorreu ontem á tarde no Castelo de Jorge, mais uma interessante jornada sobre cultura e tradições da nossa cidade de Lisboa. Subordinado ao tema ?Entradas e esperas de Toiros? na capital...
15 de Outubro de 2013 - 08:37h Notícia por: - Fonte: Gab. Imprensa - Joaquim Bastinhas - Visto: 1100
Joaquim Bastinhas no colóquio

Decorreu ontem á tarde no Castelo de Jorge, mais uma interessante jornada sobre cultura e tradições da nossa cidade de Lisboa. Subordinado ao tema “Entradas e esperas de Toiros” na capital, usaram da palavra o Dr. Paulo Pereira, o cavaleiro Joaquim Bastinhas e a historiadora, Drª Gabriela Oliveira. Interessante colóquio que contou com diversas intervenções da assistência, caso de João Franco, uma das lendas do G. Forcados A. De Santarém. Falou-se da festa, do toureio, do cavalo, do forcado e do toiro. Entre os assuntos falados, o tema central eram as esperas de toiros. Junto transcreve-mos alguns apontamentos, neste caso algumas opiniôes do cavaleiro tauromáquico de Elvas, Joaquim Bastinhas:         

 

“Entradas de Toiros em Lisboa”

No final do século XVIII, durante o século XIX e primeira metade do século XX, tinham tradição e fama, as entradas de toiros na capital, sendo um divertimento popular e aguardado sempre com expectativa, já que nele se misturavam cavaleiros, amazonas e até algumas equipagens fidalgas, esquecendo-se origens e classes sociais. As entradas de toiros, aconteciam durante a noite, primeiro porque os fortes calores dos meses de estio, obrigava o gado trazido das lezírias do Ribatejo, a durante o dia abrigar-se da inclemência dos raios solares e ao mesmo tempo descansar, poupando ainda os habitantes das aldeias e os viajantes desprevenidos a grandes sustos mas sobretudo a percalços de gravidade maiores. Por vezes, mesmo levando os maiorais e os dois cabrestos da guia por diante, com os restantes ao redor dos bravos para manterem a manada junta, amparados por duas varas, fechava o cortejo uma terna de campinos que sustinha, cavaleiros e amazonas, ardentes e ciosos para demonstrarem a sua destreza e valentia. No entanto frequentemente tresmalhavam-se toiros, face á barafunda que se instaurava após a entrada na estrada de Carriche (calçada de Carriche), o que para a populaça era sempre motivo de gáudio, divertimento e histórias. As entradas de toiros aconteciam também, por força de que há época, não existiam ainda as jaulas de transporte, o que viria a suceder com a introdução do comboio. As entradas de toiros a caminho da praça de toiros do Campo de Santana, ou D. Miguel I, porque foi o rei toureiro, um dos seus principais obreiros, eram uma verdadeira festa para os aficionados e povo Lisboeta, vindo a sofrer até algumas mutações entre os anos de 1830 e 1835. Nessa época os toiros ficavam nas azinhagas do Campo Grande e ao anoitecer, com o soar do estrondo de um petardo (ou foguete) saíam á carga até aos terrenos do Campo Pequeno, sendo antecedidos da Guarda Municipal, que tentava dissuadir os atrevidos a não tresmalhar a manada e assim a tropa de campinos maiorais e gado pudessem chegar por inteiro ao ultimo ponto de paragem tradicional, para aí se aquietarem. Depois, entrada a madrugado, saíam até á praça de toiros do Campo de Santana.O facto dos toiros e cabrestos quedarem-se nos terrenos, onde hoje se situa a praça de toiros do Campo Pequeno, permitia um ambiente festivo até altas horas da madrugada (vinho, fado, petisco e prostitutas, ambiente de excelência para rixas e algum marialvismo).Mesmo assim as correrias pela cidade eram frequentes e segundo alguns relatos populares, toiros houve que foram parados no Rossio e até na Praça do Comércio, que para além do inerente alarido que estes animais causavam junto dos pacatos habitantes da cidade, também provocavam grandes trambolhões, “espantadas” e escoriações nos pobres mercadores e comerciantes que iniciavam a sua faina de abastecimento de legumes, peixe e carnes frescas, leite e pão, uma cidade que se preparava para acordar.Com a multiplicação de incidentes, “tendo até um cavalo da guarda municipal sido corneado mortalmente”, em 1867, o Ministério conduzido pelo Marquês de Loulé “proibiu” tais desmandos. No entanto o povo não deu importância á advertência do Marquês, tendo mais tarde o comandante da Guarda Municipal, António Cabral Sá Nogueira “ proibido de maneira absoluta” a participação de qualquer indivíduo estranho á condução do gado. Também é tomada a medida de que o ultimo ponto de paragem para o gado seja junto há ponte de Frielas e daí não possa voltar a ser acompanhado por estranhos.Com a introdução das jaulas e do transporte ferroviário, os toiros são transportados até á estação do Campo Grande de comboio, sendo as jaulas descarregadas para galeras rasas e puxados (normalmente) por muares. Começa assim a desvanecer-se nos costumes e tradições lisboetas as tradicionais e populares entradas de toiros na capital, resistindo esta tradição até metade do século XX, em algumas vilas do Ribatejo – V.F.Xira, Salvaterra de Magos, Alcochete….

Joaquim Bastinhas

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