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Campo Pequeno: 120 anos de cultura e tradição

Completam-se sábado 120 anos sobre a corrida inaugural da praça de toiros do Campo Pequeno, a mais importante e a mais bela de Portugal.
17 de Agosto de 2012 - 13:41h Notícia por: - Fonte: - Visto: 769
Campo Pequeno: 120 anos de cultura e tradição

Completam-se sábado 120 anos sobre a corrida inaugural da praça de toiros do Campo Pequeno, a mais importante e a mais bela de Portugal e, sem sombra de dúvida, uma das mais bonitas, funcionais e acolhedoras de todo o mundo taurino.

Inaugurada com a presença da Família Real, a 18 de Agosto de 1892, coube ao cavaleiro Alfredo Tinoco lidar o primeiro toiro da tarde, pertencente, como os 11 restantes, ao ganadero Emílio Infante da Câmara. Recordemos o cartaz inaugural… Cavaleiros: Alfredo Tinoco e Fernando de Oliveira. Bandarilheiros: Vicente Roberto, Roberto da Fonseca, José Peixinho, João Calabaça, João Roberto e os seus colegas espanhóis Felipe Aragón “Minuto” e “Pescadero”.

A actual praça de toiros do Campo Pequeno, projecto do arquitecto Dias da Silva, sucedeu à que existiu no Campo de Santana, inaugurada a 3 de Julho de 1831 e encerrada em 1888, na sequência de uma vistoria que interditou o edifício, por questões de segurança relacionadas com o mau estado de conservação.

Pode dizer-se sem receio de erro que a história do Campo Pequeno se confunde com a história do toureio em Portugal e que essa história é, por direito próprio, parte da história da tauromaquia, pois nesta praça actuaram, ao longo de 120 anos, todas as maiores figuras mundiais do toureio a pé e a cavalo. Os grandes nomes da portuguesíssima arte de pegar toiros pisaram esta arena e as mais importantes ganadarias de Portugal e Espanha aqui lidaram os seus exemplares.

Testemunha de grandes feitos tauromáquicos, o Campo Pequeno foi também palco para outros espectáculos, como o Boxe e a Luta Livre, mas igualmente serviu para centro de recrutamento de voluntários para combater a Monarquia do Norte, na ressaca da implantação do regime republicano, em 1910. No pós 25 de Abril, foi “barómetro” de comícios partidários, o balão de ensaio para os principais partidos políticos avaliarem da sua capacidade de mobilização para a realização de comícios na Alameda D. Afonso Henriques ou na Praça do Comércio e Otelo Saraiva de Carvalho, então Comandante do COPCON, ameaçou transformá-la em palco de fuzilamento de fascistas, à semelhança do que Franco fizera em relação aos republicanos, na antiga praça de toiros de Badajoz. A mais recente iniciativa partidária que ocorreu no Campo Pequeno foi o Congresso do Partido Comunista Português, em finais de 2008.

Dado o acentuado estado de degradação que o edifico da praça de toiros apresentava, entrou em obras de restauro e requalificação, bem como dos espaços envolventes, no ano 2000. Reabriu a 16 de Maio de 2006, completamente remodelada, como um projecto integrado de cultura e lazer, no qual foram investidos cerca de 80 milhões de euros, integralmente suportados pela iniciativa privada, através da Sociedade de Renovação Urbana Campo Pequeno, SA.

No novo espaço, conservando todavia toda a traça originária em estilo neo árabe, nasceu uma sala coberta, com cobertura parcialmente amovível, que pode albergar todo o tipo de eventos (tauromáquicos e outros) ou reuniões, duas zonas de restauração, uma ao nível do piso dos jardins, também totalmente recuperados, e outra integrada num espaço comercial subterrâneo, com cerca de 70 lojas e oito cinemas, servidos por um parque de estacionamento, também subterrâneo, com capacidade para 1200 lugares.

O novo Campo Pequeno é um misto de tradição e modernidade que, sendo a mais versátil sala de espectáculos de Lisboa, contribuiu ainda para recuperar uma das mais acolhedoras centralidades da capital do país.

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