
Nuno Marques, cabo dos amadores da Chamusca, despede-se das arenas, no dia 6 de Setembro, na sua terra.
Conheça um pouco do percurso deste valoroso forcado.
T:Como nasceu o gosto pelos toiros e surgiu a entrada nos amadores da Chamusca?
N.M:Crescer na Chamusca na década de 80 e ser indiferente aos toiros ou ao grupo da Chamusca era impensável. A entrada no grupo deveu-se à influência de amigos que me levaram a um treino. Depois de se viver uma experiência como aquela, ficamos imediatamente viciados, o espírito de grupo, a amizade verdadeira, a cumplicidade, todo aquele respeito pelas hierarquias. Enfim, e depois a adrenalina de pegar.
T:Com que idade e onde pegou o seu primeiro toiro? Como recorda esse dia?
N.M: Peguei o meu primeiro novilho com 15 anos na Figueira da Foz e o primeiro toiro no mesmo ano em Setúbal, um Paulo Caetano à 5ª tentativa, uma semana antes tinha tentado pegar um Barbeiro e após 3 tentativas fui dobrado. Foi um início complicado, sem a aprovação dos meus pais e com muita inconsciência, não tinha a mesma preparação que os forcados de hoje têm quando se iniciam. Nessa noite cheguei a casa e tinha os meus pais à minha espera, foi duro.
T:Quantas épocas esteve no activo?
N.M:23 épocas consecutivas, apesar de várias lesões com cirurgias pelo meio nunca estive um ano sem pegar.
T:Quando decidiu despedir-se das arenas, quais foram os factores que o levaram a tomar essa decisão?
N.M:Foi uma decisão tomada em consciência já a alguns anos mas que foi sendo adiada a pedido dos elementos do GFAC. Resulta do desgaste de muitos anos dedicados ao grupo, das lesões e das responsabilidades profissionais e familiares.
T:Que momentos recorda nos amadores da Chamusca?
N.M:Muitos momentos, principalmente bons momentos. Recordo todos os amigos que fiz. Os momentos de boa disposição e cumplicidade antes e depois de algumas corridas. Recordo cada pega que fiz, cada triunfo do meu grupo, recordo os valores humanos que me foram transmitidos pelos mais velhos. São mesmo muitas recordações.
T:É difícil ser forcado?
N.M:Deveria ser difícil ser forcado, ou melhor, é difícil andar de forcado e com dignidade, com seriedade e honestidade para com o toiro e o público. O forcado é um artista, um toureiro e tem de se comportar em conformidade, tem de ser exemplar! A pega tem de ter arte, conhecimento, deve ser um acto de inteligência que se sobrepõe à força e à bravura do animal, tem de ter plástica, técnica e também raça.
T:Dia 6 de Setembro vai ficar gravado na sua memória...
N.M:Vai seguramente, é um dia de emoções fortes que espero ser de festa, com a presença de muitos amigos fardados e outros na bancada da praça da minha terra.
Sorte!