Campo Pequeno em noite apoteótica
15 de Julho de 2017 - 09:15h | Crónica por: António Costa Pereira - Fonte: António Costa Pereira - Visto: 1431 |

Recordei outros tempos. Daqueles em que após a corrida se vivia um intenso ambiente taurino. Assim foi ontem. A afición por ali ficou. A conversar sobre a corrida, a cear, e as conversas a recaírem sobre o bom cartel ontem apresentado.
Pablo e Manzanares duas figuras , das maiores e mais mediáticas figuras do mundo taurino, fez o publico acorrer em massa, enchendo quase por completo a monumental lisboeta.
PABLO HERMOSO DE MENDOZA
Não é por acaso que o rojeneador de Navarra é considerado o melhor. Frente aos Charrua, mostrou a mestria da lide e do toureio a cavalo. Ferros de grande nota. Levando emoção ao publico, fazendo com que este o aplaudisse de pé. O que se vê em Pablo, é arte, é muito trabalho com montadas excelentes. Homem e cavalo em perfeita harmonia, como se de apenas um se tratasse. Compridos de boa nota, e curtos de cortar a respiração. Tudo isto rematado com os seus célebres ladeios e piruetas na cara do oponente, deixaram a marca de grande qualidade e saber.
Como seu suplente estava Jacobo Brotero, que foi chamado a dividir tarefas no segundo touro. Teve Botero uma nota positiva nesta participação a duo com Pablo.
Os touros de António Charrua, cumpriram, e bem. Justificando-se em pleno, no quinto touro, a volta à arena do ganadero Gustavo Charrua.
JOSÉ MARÍA MANZANARES
A vinda do toureiro de Alicante a Lisboa, foi um verdadeiro acontecimento. Ou não fosse este “Torrão de Alicante” apelidado de “Toureiro das Mulheres”. Brincadeiras à parte, era esperado sim, pela sua mestria e suprema arte de tourear.
Manzanares não defraudou o publico. No seu primeiro, um de Benjumea, ante a falta de qualidade e “impróprio para consumo”, fez das tripas coração para conseguir o inatingível.
Nos outros toiros, de Juan Pedro Domeq e Garcia Jimenez, esteve soberbo. De excelente nota com o capote, arrebatou com a muleta. Fazendo faenas de sonho. Daquelas que só os grandes conseguem. Arrimou-se, sacando passes de grande emoção. O publico ficou rendido. O que o levou a dar duas voltas ao ruedo, com o publico de pé, a não regatear aplausos.
Como seu suplente, estava o novilheiro Joaquim Ribeiro “Cuqui”, a quem Manzanares concedeu permissão para estar frente ao ultimo touro da corrida. Uma lição de grande cumplicidade e humildade.
“Cuqui”, brilhou, e sacou passes de grande nota. Um nome a ter em conta, para futuras oportunidades.
FORCADOS DE MONTEMOR
O grupo capitaneado por António Vacas de Carvalho, não esteve na sua melhor noite ante os Charrua.
Os forcados da cara foram, Francisco Barreto e João da Câmara, que pegaram à segunda e quarta tentativas. E ainda Francisco Borges a salvar a honra do convento, conseguindo à primeira tentativa levar a melhor sobre o “Cigano” de 588 kgs.
PORTA GRANDE
Mais uma vez se abriu a porta grande do Campo Pequeno. Algo que vem sendo hábito, e bem, sempre que um triunfo assim o justifique.
Manzanares saiu com todo o mérito e apoteoticamente, mas no nosso entender, a mesma deferência devia ter sido atribuída a Pablo Hermoso de Mendoza. Porque também ele merecia a saída em ombros pela porta principal da monumental de Lisboa.
A corrida foi dirigida por Pedro Reinhardt sendo seu acessor o Dr. Jorge Moreira da Silva.