Feira Taurina da Sr.ª das Candeias
04 de Fevereiro de 2017 - 19:45h | Crónica por: Sónia Batista - Fonte: Sónia Batista - Visto: 2976 |

A Sociedade actual, vive em constante mudança, mas o meio Taurino, consegue ser um refúgio, onde ainda as Tradições são mantidas e têm a sua importância.
Mourão é um desses casos. É a “meca” dos aficionados, para celebrar o início da nova temporada e é bem notório “la sed de toros”, onde nem a chuva diminuiu essa vontade de voltar à rotina de admirar e analisar o touro e a concepção do toureio.
No segundo festival taurino, da Feira de Nossa Senhora das Candeias, tivemos ¾ fortes de praça e os toureiro a tourear, entre um tempo instável, mas com todos os presentes, com vontade de celebrar, da melhor forma, o arranque da temporada.
Para iniciar as lides, dos novilhos de Murteira Grave, tivemos Paco Ureña, sem se destacar, mas ainda assim, entrou em terrenos de compromisso e conseguiu bonitos detalhes “al natural”.
António João Ferreira, que atravessa um grande momento, obteve novamente, o triunfo da tarde.
Este matador é a prova que a entrega, a dedicação e o “vivir en torero dentro e fora de praça” traz as suas vitórias.
Hoje temos um matador, coeso, com arte e com capacidade de cativar os aficionados com a sua técnica. Sem dúvida que podemos afirmar, que para este matador, “ser toureiro é mais do apenas uma profissão, é um modo de estar na vida”.
De capote, destacou-se com verónicas.Com “su muleta” conduziu o novilho, sabendo mandar e andou ligado por ambos os pitons. Retirou máximo partido das qualidades do exemplar Murteira Grave e prendeu ao seu toureio, novamente os aficionados.
Juan del Álamo, sem dúvida que é um matador, que não gosta de defraudar o público, ainda que o novilho não estivesse com a mesma entrega que o matador, este trabalhou a lide e conseguiu tapar o que faltava ao novilho, de forma a não entediar o público.
Por “derechazos” mostrou que é um toureiro de valor e onde mais se destacou foi nos lances de chicuelinas no novilho de Antonio João Ferreirra. Com isto conseguimos ver que tivemos mais “toureiro que touro”, relativamente à actuaçao de Juan del Álamo.
Filipe Gonçalves, ainda que não sendo das suas melhores lides, andou com enorme valor, ao actuar dentro dos mesmos moldes, a que estamos acostumados ver, já que é um cavaleiro que prima pelas marcações ao pitón e a chuva diminuiu a qualidade do piso.
Iniciou com tiras nos compridos e nos curtos não conseguiu das suas melhores actuações, mas cravar quiebros e violinos debaixo de chuva, é de um cavaleiro que se entrega por completo e fiel ao seu conceito de toureio equestre.
A pega deste novilho, esteve a cargo do grupo de Forcados Amadores de Monsaraz. À cara foi Carlos Polme a consumar à 1ª tentativa, de forma vistosa.
Quanto aos jovens novilheiros, Paco Aguado, teve lidou o novilho mais complicado da tarde, o qual se refugiava e dificultou a tarefa ao novilheiro. Dos melhores momentos, recordo, alguns naturais e sobretudo a entrega do jovem para dar à volta a este novilho.
João Silva, de capote, desenhou lopecinas, as quais resultaram bastante vistosas. De muleta, foi das vezes que o vi mais correcto. Esteve variado e entregado na lide. Muito preciso, numa série de naturais rematado de peito. Espero continuar a ver evoluções neste jovem.