Forte competição em noite de Alternativa - Campo Pequeno 23 de Julho
Nove casacas, de nove cores diferentes, dos nove cavaleiros que desenharam as cortesias enchendo a arena de cor e as bancadas de som, num daqueles momentos de raro pormenor estético.
27 de Julho de 2009 - 02:33h | Crónica por: Sara Teles - Fonte: - Visto: 2240 |

DUARTE PINTO
1º Toiro "Pueblo", negro, 618kg, (2 compridos e 6 curtos)
Se podemos apontar aos dois ferros compridos à tira cravados acometendo, haverem ficado, o 1º ligeiramente descaído e o 2º a cilhas passadas, já nada podemos apontar aos seguintes, depois de Duarte Pinto ter trocado a montada e deixado no pátio de quadrilhas as primeiras emoções.
Os 3 primeiros curtos foram cravados em sortes de caras com saída em quarteio de bom entendimento; o 4º e 5º ferros em sorte carregada com batida ao píton contrário, resultaram igualmente bonitos e subiram o tom da lide, a que o cavaleiro juntou algum ar de graça com a montada em andamentos de alta escola, para depois cravar um 6º ferro à tira e ao estribo, que se junta aos restantes no alto do morrilho.
6º Toiro "Botelho",negro, 526kg, (3 compridos e 6 curtos) - Mano-a-Mano com Emídio Pinto
É difícil lidar a duo, e ainda mais será numa noite que se quer perfeita. Assim, foi difícil encetar a lide com uma ferragem comprida de acerto já que o toiro se distraía entre uma e outra montada.
Na ferragem curta, entenderem-se nos terrenos e cravaram, 1º Emídio: um à tira consentida, outro ensesgado mas com efeito bonito e o último numa propositada sorte à garupa; e intercalado, Duarte Pinto, três tiras passando entre tábuas e rematando aos médios.
Foi notório o bom sentido de lide e estética que tem o novel cavaleiro.
PAULO CAETANO
2º Toiro - 622kg - Negro (2 compridos e 4 curtos)
Este 2º toiro saiu à praça aguerrido, perseguindo com codícia a montada de Paulo Caetano, que a aguenta com grande segurança.
Os compridos foram cravados em sortes muito bem executadas, em especial o 1º à tira, dando prioridade à investida do toiro, o que aconteceu também no 2º, só que agora recebendo um ligeiro toque à garupa.
Com outra montada, aguentando muito, citou frontal com alegria para cravar à tira com saídas bem rematadas, deixando nesses moldes três bonitos ferros curtos com o toiro sempre vindo a menos na codícia e a mais na querença em tábuas.
Finda a lide, soou um assobio em tom baixo só porque os pormenores também contam: no morrilho figurava um só ferro. O cavaleiro termina então a lide, cravando um 4º ferro nos médios em sorte de caras saindo em quarteio para uma bonita brega ladeando em tábuas, que acabou por ser o seu mais vistoso.
JOAQUIM BASTINHAS
3º Toiro - 596kg Negro (2 compridos, 3 curtos, 1 palmo e 1 par)
Os modos populares de imensa graça que tem Bastinhas foram acompanhados de uma lide emocionante e bem executada.
A recepção à porta gaiola resultou em grande impacto já que o exemplar saiu com muita pata e codícia na brega pelas tábuas e o cavaleiro aguentou sempre em galope e sem dobrar em demasia.
Os dois compridos foram cravados à tira bem ao estribo e rematados com mais uma brega de ovação pelas tábuas.
Nos curtos, as vistosas bregas continuaram a fazer-se notar (tal como as boas características da rês) e assim também os 3 ferros, cravados em sortes frontais e ao estribo.
A lide termina com enormes petições do público: primeiro à cravagem de um palmo a que faltou toiro para maior brilho e depois o famoso par, que teve realmente execução perfeita.
Como era seu antigo hábito, Bastinhas saltou do cavalo à porta do pátio de quadrilhas agradecendo uma enorme ovação.
JOÃO MOURA CAETANO
4º toiro - 580kg - Negro (2 compridos, 3 curtos e 1 palmo)
Apesar de ter feito sair da teia os seus subalternos, acabaram estes por ter que ajudar o cavaleiro (que não conseguiu levar o toiro na brega) mostrando os capotes da trincheira.
O 1º ferro comprido foi de facto o melhor dos que cravou, citou de praça a praça para receber o toiro depois de carregar a sorte ao piton contrário.
Como o voluntarismo do hastado terminou ali, encurtou distâncias e cravou o 2º comprido também com batida ao contrário.
A ferragem curta, foi muito comprometodora para o cavaleiro. Só preocupado com a espectacularidade dos ferros, esqueceu-se de dar lide ao toiro, omitindo por completo pormenores tão importantes como o remate de cada ferro ou brega para colocar o toiro em sorte.
Nos 2 primeiros ferros citou o toiro dos seus terrenos de querença, a uma distância muito curta e aguardou a investida para carregar ao píton contrário e depois sair por dentro.
O 3º, repetindo a sorte nos tércios, foi já cravado acometendo mas não tendo terrenos para escapar-se fez colher a montada com violência contra tábuas - o que não inibiu o cavaleiro de virar costas ao toiro e seguir pedindo/colhendo aplausos.
Crava ainda um palmo à tira perpendicular e depois outro, cravado com correcção e ao estribo.
A lide termina sem que o cavaleiro tenha tido o menor cuidado a rematar algum dos ferros ou pudor de se corrigir de alguma incorrecção (nem sombra disso), deixando o toiro quase inteiro para a pega.
MARCOS TENÓRIO BASTINHAS
5º toiro - 612kg - Negro (2 compridos, 4 curtos e 2 palmos)
Depois de alguns capotazos, o toiro sai para a brega com andamento das tábuas aos médios, onde é deixado em sorte para a colocação do 1º comprido à tira que resultou contudo, a cilhas passadas, ao contrário do 2º que teve de boa execução.
Depois de sacar o exemplar das tábuas, cravou o 1º curto em sorte de caras, ao estribo e saída em quarteio num cuidado remate.
Sem perdas de tempo entre cada um, o 2º, 3º e 4º curtos foram executados em sortes frontais, com cites em andamento de alta escola, saindo depois sempre em quarteio e atentando aos tempos e terrenos, que foram sendo mais acomentendo e para tábuas dada a escassa bravura do exemplar.
Quando lhe pedem mais um ferro, é imagem de marca do cavaleiro sacar dois palmitos que crava seguidos e foi dessa forma que o cavaleiro terminou também esta actuação.
AS PEGAS
1º Toiro - GFA CASCAIS - Joel Zambujeira - 1ª Tentativa
Citou o toiro com galhardia e recebeu-o sem dificuldade fechando-se à barbela. O grupo tardou a reunir depois de vários elementos cairem na recepção mas o da cara viajou sem problemas até à sua chegada.
O rabejador, andou muito deselegante com uma saída descoordenada.
João Balão, protagonizou momentos de aflicção, saindo para a enfermaria com uma bandarilha cravada na mão. De louvar a prontidão com que agiu o sr. José Alcachão, (embolador) que conseguiu libertar o forcado do toiro sem que maiores danos se produzissem.
2º Toiro - GFA Monforte - Paulo Freire - 2ª Tentativa
1º Tentativa
Com as ajudas longe, o forcado vai sacar o toiro quase a tábuas pelo que não consegue mandar na investida e fechar-se devidamente à córnea donde escorrega quase de imediato.
2ª Tentativa
Com o toiro mais fora da querença o forcado cita devidamente para recuar muito, embora ligeiramente "de lado". Este toiro, que exigia muito labor, já que meteu a cara por baixo durante muito tempo, foi assim pegado à córnea sem dificuldades de maior, com uma boa 1ª ajuda.
O rabejador respeitou as regras e andou correcto.
3º Toiro - GF Académicos de Elvas - Pedro Pimenta - 3ª Tentativa
1ª Tentativa
Com o toiro ainda de boca fechada, colocado fora das tábuas arranca sem delongas e o forcado recua-lhe carregando, mas porque deixou ficar as pernas no momento da reunião, saiu desfeiteado sem se ter fechado com eficácia.
2ª Tentativa
Nesta tentativa faltaram " braços". O forcardo esteve correcto a receber, mas como o primeiro ajuda falhou e os restantes tardaram acabou escorregando da cara do toiro.
3ª Tentativa
A consumação da pega acabou por não ter muito brilho, já que apesar de o forcado ter estado correcto na recepção, não conseguiu fechar-se de forma plena, antes indo escorregando da cara ao longo viagem por baixo, acabando por não sair porque o grupo ajudou rapidamente quando o toiro prendeu no chão os pítons.
Mais um momento de comoção, quando o 1º ajuda Ivan Nabeiro fica deitado na arena sem conseguir mover-se. Saltam à teia vários colegas em seu auxílio (também ele prontamente saltou a ajudar os de Cascais quando se apercebeu da lesão na 1ª pega da noite)tal como Joaquim Bastinhas e os bombeiros que o levam à enfermaria.
4º Toiro - GFA CASCAIS - Luís Camões - 1ª Tentativa
O forcado selou a noite dos de Cascais com uma pega à barbela consumada sem dificuldade (embora o forcado não se tenha fechado de pernas na reunião). O toiro não derrotou e o grupo ajudou decidido.
O rabejador esteve muito bem a retirar a força ao toiro ainda durante a viagem e depois quando o grupo saiu da cara. Porém, foi mais uma vez desajeitado a saír apesar da sobranceria.
5º Toiro - GFA MONFORTE - Luís Aranha - 2ª Tentativa
1º Tentativa
Durante a lide este 5º toiro acusou a escassez de qualidade e isso revelou-se também na pega. Primeiro demorou a sair da sua querença em tábuas e depois arranca sem humilhar na reunião apesar de o forcado não ter falhado as regras. O grupo demorou a reunir e o da cara é desfeiteado já que o toiro o foi sacudindo da cara.
2º Tentativa
Com as ajudas novamente distantes, o forcado carregou devidamente a sorte e fechou-se agora à barbela com decisão e recebendo também agora uma boa 1º ajuda (que ficou também fechado) e o restante grupo coeso.
O rabejador andou regular mas deixou dar evidência a alguma dificuldade.
6º Toiro - GF Académicos ELVAS - Joaquim Guerra - 2º Tentativa
1ª Tentativa
O toiro saiu solto e o forcado, apesar de ter começado por carregar a investida começou a recuou cedo demais e assim perde o momento da reunião sem conseguir consumar.
2ª Tentativa
Em acerto de tempo, o forcado agora sim, cita, carrega e recua mandando para se fechar à córnea com boa ajuda do grupo.